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imagem mostra um vale, com um corrego passando entre ele. Dois ciclistas atravessando o corrego, com suas bikes nas costas

JORNAL METRO: Abrem-se as portas do inferno

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Na verdade, o prólogo foi apenas a porta de entrada do inferno que estava por escancarar suas entranhas ontem.

 Para começar, choveu a noite toda.

 Às 3h50, ou seja, 10 minutos antes do despertar, caiu outro temporal na vila Claro Brasil Ride.

 Às seis em ponto, todos largaram debaixo de muita água.


Jornal do Metrô

JORNAL METRO: Abrem-se as portas do inferno

Na verdade, o prólogo foi apenas a porta de entrada do inferno que estava por escancarar suas entranhas ontem.

Para começar, choveu a noite toda.

Às 3h50, ou seja, 10 minutos antes do despertar, caiu outro temporal na vila Claro Brasil Ride.

Às seis em ponto, todos largaram debaixo de muita água.

Foram 140 quilometros de Mucugê até Rio de Contas (aliás, agradecimentos à prefeitura por ceder suas instalações para o banho dos atletas) de tudo e mais um pouco.

Subidas inacabáveis, descidas incríveis, areião, lama, pedras lisas e um rio com água pela cintura, cheio por causa do aguaceiro que caiu e mais subidas, subidas e subidas.

Ao todo, foram mais de 3.300 metros acumulados.

Os primeiros a chegar, uns tchecos, demoraram 6h41, principalmente pelo fato de que tiveram de empurrar suas bikes por mais de uma hora na pior elevação até agora.

A compensação veio em forma de visual.

Embora muito nublado e, em alguns momentos, muito frio e chuva, as montanhas da Chapada Diamantina são espetaculares.

Não finalizei o trajeto.

Peguei o ônibus em Piatã.

O que restava da prova era algo inimaginável para minhas cansadas pernas.

Mas amanhã estaremos de volta ao pedal.

Superação

No meio de toda essa dificuldade, a atleta Dani e o deficiente visual Adauto mostraram força e superação.

Por mais de oito horas, pedalaram forte até Piatã, quase 100 quilometros, numa tandem, isto é uma bicicleta para duas pessoas.

Organização

O bom de acompanhar a ultramaratona Claro Brasil Ride de dentro de uma L 200 é ver como todos os apectos da organização foram pensados e preparados com antecedência.

Além de dar uma renda extra para dezenas de pessoas que mostravam o caminho, nenhum objeto, como embalagens de suplementos, ficaram nas trilhas.

Os rádio-comunicadores também não paravam, com informações de todos os pontos.

Todo esse apoio dá tranquilidade ao atleta que, realmente, só tem de pensar em pedalar.

Rio de Contas

A cidade é aparentemente maior que Mucugê.

O calçamento é de pedra e tudo está organizado e limpo.

O povo sai à janela para ver os ciclistas passarem.

Por R$ 10, é possível pedir para as mulheres lavarem sua roupa suja - bretele, camiseta, boné e luvas.

O jantar, novamente, foi muito bom.

Talharini, purê de batatas, salada com tomate cereja, filé de maminha com pimentas comari, frango ensopado e rocambole de sorvete de sobremesa.

Texto de Jornal do Metrô, de 16Nov2010.

Foto: Fábio Piva

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