Ronaldo, coordenadores do DV NA TRILHA e ômega.

Pessoal,

Realmente a manhã de hoje foi muito especial. É incrível como é simples fazer pessoas felizes e ainda fazer uma atividade que gostamos tanto que é pedalar.

Os coordenadores do DV na TRILHA estão de parabéns!!! Que trabalho fantástico é esses que vcs realizam. SHOW DE BOLA!!!!

Contem comigo para qualquer necessidade.... condutor.... voluntário.... batedor.... Enfim... qualquer coisa!!!

Quero dizer que já vou procurar uma TANDEM para participar com mais força no projeto e me dedicar a buscar parcerias que viabilizem doação de mais bicicletas TANDEM.

Ômega, veja se é possível encaminhar este e-mail para o grupo do PNDF, pedindo mais voluntários para serem condutores no projeto.

Pelo que entendi nas conversas de hoje, seria muito importante contar com mais voluntários. Quanto mais voluntários/condutores, mais DVs pedalando e felizes.

Gente....É bom demais!!!! Pedalar....ajudar....divertir....e o mais importante, fazer pessoas felizes!!!!

Hoje, vivi um dos dias mais especiais da minha vida!!!

Abs e mais uma vez, PARABÉNS para os mentores e voluntários do DV NA TRILHA!!!!

Sexta-feira, 09/04/2010, final de expediente:

- Aí, Simoninha, mais um DV confirmado.

- Uai, é?! Quem? Ninguém me ligou...

- O Marcelino que mandou o e-mail confirmando. É o Rubens.
Ele é surdo-mudo e tem deficiência visual: baixa-visão.

- ...

- ...

- Caracas!!! ... como vamos nos comunicar com ele então?

Ficamos eu e Bruno conversando e imaginando como seria isso.
Sábado já estava chegando e não daria mesmo tempo de fazer nada...
Quer dizer, fizemos o que se faz numa situação dessas: entregamos a Deus!!!
Mal sabíamos que esse era o desafio mais simples a superarmos.

Sábado, nove e pouco, chegamos ao nosso Projeto.

A Iza vê um DV do lado de fora indo embora.

- Ei! Ei! - chamamos.

E nada...

Pensei: só pode ser o Rubens.
Naturalmente... gritei:

- RUBENS!!!!!!!!!!!!!!!!

- Ow! Ele é surdo!!!!!!

- Aié mesmo... ?!?!

1º ?mico?

E o homem indo embora. Tomara que não dê tempo de pegar o ônibus. Corremos e chamamos o vigia para abrir o portão.

-Tum, Tum, Tum - esse era o nosso coração ansioso.

Já pensou... a primeira vez que um DVSM (deficiente-visual-surdo-mudo) vem prestigiar o Projeto e vai embora sem nos encontrar.
Sem sentir o vento no rosto que o pedalar nos traz. Sem poder experimentar aquela maravilhosa sensação de liberdade. Não pode... não pode...

De repente, enquanto o vigia abria o portão, em clara intuição, o Rubens pára se vira para nós.

UAU!!!!!!!!!!!
Abanamos as mãos freneticamente.
Mas ele não viu... ele não vê... tem baixa visão...

2º ?mico?.

O portão foi aberto... UFA!!!!!!!!!!!
Corremos ao seu encontro. De pertinho e contra a luz ele conseguiu nos ver e, aliviado, abriu um sorrisão apontando para o relógio e perguntando algo...

Na verdade, foi um alívio para nós três e tentamos infrutiferamente nos comunicar nos primeiros minutos.

Ele apontando para o joelho e fazendo sinal de ?pequeno? com os dedos.

Perguntei - você sente uma pequena dor no joelho?

Ele abriu os dois braços em torno do próprio corpo.

- Já sei, já sei, você está se sentindo farto, mal, algo assim?

- Você consegue ler meus lábios?

3º mico - baixa visão não vê detalhes, não dá para ler lábios ...

A cara de interrogação do Rubens, a cada pergunta, era de dar dó.
Só não era maior que a cara de interrogação minha e da Iza enquanto ele gesticulava alucinadamente dizendo um monte de coisas loucas (no nosso limitado entendimento gestual).

Mas a sintonia do coração e da solidariedade é infalível.

Passados alguns minutos, tomamos fôlego e recomeçamos.
Milagrosamente (no sentido mais literal da palavra: coisas de Deus mesmo!!!!), ele fez o primeiro gesto novamente e nós entendemos perfeitamente sua ?voz?:

- ?Espera só um pouquinho que vou trocar de roupa para poder pedalar?.
- ?Beleza? - gesticulamos, e ele entendeu.

Antes de ir, ele repetiu o segundo gesto e também entendemos:

- ?Cadê o Marcelino??
- ?Ele chegará daqui a pouco?.

Daí lembrei, em euforia, que eu sabia aqueles sinais de LIBRAS (Linguagem Brasileira dos Sinais) gravado em um daqueles folhetins que eu havia comprado há muuuuuuuuuuuuuuuiiiiiiiiiiiiiiito tempo de um surdo-mudo em um bar e acabei decorando pois ?um dia poderia precisar?.

Pronto, aí a comunicação fluiu.

Pedalamos e foi uma maravilha...

A Rosi e a Mari, na maior empolgação, fazendo planos e concretizando uma dupla que promete muito sucesso.
Wallace ensinando a Iza a conduzir.
Danilo apoiando a Iza.
Eu e Valéria, no carro, apoiando todos.
Bruno e Reginaldo falando de pneu furado e vento-contra, entre risadas, para justificar o ar ofegante.
Marcelino e Rubens criando símbolos para se comunicarem enquanto pedalavam.

Chegamos e comemoramos: todo mundo agüentou bem!!!
Uhhhhhhhhhhhuuuuuuuuuuuuuu!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Até que o Wallace, deficiente visual, perguntou: o Rubens agüentou ir e voltar?

- Sim, agüentou!!!!

- Parabéns, Rubens!!!! Gritou o Wallace batendo palmas.- Wallace ele não ouve...
Silêncio total...
- Mas, mas eu quero dar os parabéns para ele... disse o Wallace frustrado e inconformado.

Gente, aí vimos que esse seria o nosso maior desafio: promover a comunicação entre os DVs e os DVSMs.
Parem e pensem sobre isso...

Peguei nas mãos do Wallace e mostrei a ele como se batia palmas em LIBRAS (levantando as mãos e balançando-as em torno de si mesmas- o Marcelino havia me ensinado a pouco).
Wallace entendeu.
Pediu para ir para perto do Rubens e, silenciosamente, fez os gestos.
Rubens se emocionou.
Mas o Wallace não viu.
Rubens gesticulou.
Mas o Wallace não viu. Wallace não vê... é cego total.
Rubens puxou o Wallace e deu um abraço nele.
Aí o Rubens ?falou? e o Wallace ?viu?.
Eles comemoraram.
Comemoraram o pedal e comemoraram a magia daquela comunicação permeada pelo mais genuíno amor.

Muita muita muita emoção. Haja lágrimas nos olhos...

Micos a parte, solidariedade em evidência, está aí o nosso Projeto Deficiente Visual na Trilha voltando à ativa e nos enchendo de vida e motivação.

Agradeço a presença de todos e convido, quem quiser passar por estas e mais outras emoções, que venha nos conhecer e participar da superação dos nossos constantes desafios.

E, agora dia 13/04/2010, terminando de escrever esta cartinha para vocês, ouço o Bruninho dizendo:

- Aí, Simoninha, mais quatro DVs confirmados!!!! O Marcelino acabou e mandar um e-mail.

Um calafrio me percorreu a espinha e não paro de pensar... de onde tiraremos tantas tandem-bikes e condutores para atendermos nossos antigos DVs e os novos que não param de chegar?
Não sei...
Mas, de onde tiraremos o amor que precisamos para dar continuidade ao Projeto eu não tenho dúvida alguma.
É só perguntar a qualquer um dos nossos voluntários e condutores.

Um grande abraço e até sábado!!!
Abaixo o tal e-mail que o Bruno falou que acabou de receber.

Simone Cosenza
Coordenação do Projeto DV na Trilha

 


 

?Caro Danilo

Nesse sábado não poderei ir porque tenho um curso na Casa de Espanha sobre o Caminho de Santiago.
A minha tandem está à disposição se precisarem.
É só me ligar e coordenar o ?apanha?.
O Rubens gostou muito de pedalar no sábado passado e fez a maior propaganda lá no CEEDV.
Resultado: um bando de cegos estimulados.
Assim para esse sábado 17, deverão aparecer lá:
-Rubens (baixa visão, surdo e mudo)
-Wanderson (baixa visão, surdo e mudo) => para teste
-Adalberto (cego total) => para teste
-Jonys (baixa visão) => para teste
Boa sorte para vocês.
Um grande abraço

Marcelino?

Texto elaborado por Simone Cosenza.
Coordenação do Projeto Deficiente Visual na Trilha
Brasília-DF, 13Abr2010

Valeu Inaldo, o Wallace pediu para eu agradecer pelas palavras que vc escreveu e pela besteiras que você e o Dedé ficaram falando no percurso para Piri.

Ele riu tanto que esqueceu a dor no joelho.

O superando é assim...agente pedala muiiitooooo, mais se diverte!!!

Meu parceiro Wallace arrebentou!!!!!

Aliás, arrebentamos três vezes a corrente da Azulona (tandem) do Marcelino, que resistiu muito bem, pois conseguimos concluir o percurso.

Mais uma vez foi uma grande experiência, pois pilotar uma tandem, em trilha, é muita emoção.

O bom de tudo é que meu parceiro, Wallace, era otimista demais, para ele qualquer obstáculo era pouco.

Quando eu dizia te prepara que vem um subidão, ele respondia põem a coroinha logo e pedala que nós demos conta.

OK, lá ia nós!!!.

Quando vinha um decidão não poupávamos no grito.... tandemmmmmm !!!!!!!!!Esquerrrrrrrrrdaaaaaaaa!!!!!!!!! Direitaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!

Peço desculpas aos colegas que tinham que se jogar para o lado, mas a tandem não pára, ou melhor, o Wallace não pára.

Foi muito bom percorrer os 100 quilômetros até Piri, à frente do Wallace e o lado de tantos amigos, solidários, engraçados, pacientes, que mesmo cansados nos ajudaram naquela pedreira infinita!!!...e quanta pedra em nosso caminho!!!

Obrigada também a galera que nos ajudou a emendar a corrente, que nos deu água, que nos emprestou as chaves, foi um grande evento.

Valeu e até o próximo.

Abraços, Dani Lemke

É incrível como BIKE e AVENTURA estão relacionados.

Tem três dias que o Rodrigo Maeda não dorme direito, fica arrumando as malas, ?rolando? na cama e falando sem parar sobre a competição de São Paulo. A esposa dele, Mille, até tenta dormir quando ele, finalmente, dorme. Daí, de repente:

- VAI! VAI! FORÇA NESTE PEDAL!!!

- Digo, acorda, acorda!!! Você está sonhando de novo, acorda!!!

- VAI!!! TEMOS CHANCE!!! TEMOS CHANCE!!!

Ela vira de lado, desiste de dormir e tenta se proteger das ?pedaladas? dele, pensando: ?Tudo bem... é por uma boa causa!?

É que o Othon e o Rodrigo vão participar, junto com os deficientes visuais, Wallace e Ailton, do I Campeonato Brasileiro de Ciclismo Paraolímpico que acontecerá nos dias 10,11 e 12 de novembro na cidade de Itapetininga, em São Paulo. Desta vez, os atletas destaques (1º, 2º e 3º lugar) poderão pleitear a Bolsa-atleta, que equivale a uma ajuda de custo de R$ 750,00 por mês, durante um ano.

Pronto!!! Daí vocês imaginem...

Além da vontade de vencer, os nossos REBAS ainda querem propiciar esta possibilidade aos nossos def. visuais (que são carentes financeiramente) de receber a bolsa.

Treinos 6 vezes por semana, sob sol ou chuva (muito mais chuva do que sol).

A Andréa é a nossa Chefe de Delegação: dispensa do trabalho, passagens, documentos, hospedagem... uma correria...

Chega o dia: ontem (09/11), 22:15 hs. Vão viajar: a Andréa, o Othon, o Wallace, o Rodrigo e o Ailton.

Tá tudo certo!

A Simone e o Danilo ficaram responsáveis de levar as bikes para a Rodoferroviária.

TAVA tudo certo, com 30 min. de antecedência, quando, no caminho, o Danilo começa a passar mal. Nada sério. Só umas pontadas na barriga. 5 minutos se resolve. Eles param em um restaurante e ele vai para o banheiro.

Chegando lá, uma criança usando o único banheiro masculino.

- Ei garoto, vai demorar?

- VOU!

- Muito?

- To fazendo cocô... Vou demorar.

Danilo desiste de ir ao banheiro. Tá indo embora, quando sente novamente uma pontada na barriga. Olha para trás e vê a porta do banheiro feminino aberta. Lá dentro, duas portas abertas. Ninguém.

- Temos que levar as bikes. Vou neste banheiro mesmo. É rapidão. Ninguém vai ver. Já pensou se demoro e as bikes não vão para a Sampa?

E entra. Acabou de fechar a porta quando ouve duas meninas entrando. Elas, como manda o costume feminino, começam a conversar sobre tudo. Tudo mesmo.

O Danilo tá prontinho para sair, mas, como? Se elas virem ele saindo podem começar a gritar e criar a maior confusão. No mínimo, atentado ao pudor. Ferrou-se, e agora?

É melhor esperar.

10 minutos depois elas saem e, em seguida, sai correndo o Danilo.

Faltam 15 minutos para o ônibus sair e estamos na 113 sul com as bikes! CARACAS!!!!!

Às 22:18 hs chegamos na Rodoferroviária.

- ?Pense em mim, chore por mim, liga pra mim, não não liga prá ela...?

- Que isso, Othon?

- Meu celular, o que é que tem? Alô?

- Othon, onde vocês estão?

- Ué, no ônibus.

- JÁ SAIRAM?

- Estamos saindo.

- Então, segura o ônibus. Estamos chegando com as Bikes.

- Elas não estão com o Rodrigo?

- Como assim? O Rodrigo não embarcou?

- Não!!! Fez e refez tantas vezes a mala que esqueceu a sapatilha. Foi buscar em casa e vai nos encontrar em Valparaíso.

Daí a ficha do Othon caiu: estamos sem as bikes: MOTORISTA, MOTORISTA, PÁRA O ÔNIBUS.

O motorista olhou, de cima embaixo para o rapaz que gritava, e achou melhor parar.

UFA!!! Embarcamos as bicicletas.

No meio do caminho para casa, o Rodrigo percebeu que não daria tempo de pegar a sapatilha.

- Vai direto para Valparaíso, cara, a gente manda a sapatilha por Sedex 10.

Ele foi, inconsolável, e embarcou.

8:00 hs da manhã a esposa do Rodrigo liga dizendo que não tem sedex 10 em Itapetininga.

- Estou indo para o aeroporto.

- Que legal!!!! Vai despachar as sapatilhas?

- Vou levar as sapatilhas pra ele.

- Como é que é? Caracas... Você está indo prá São Paulo agora?

- Ele está muito nervoso, tenho medo disso tudo interferir demais no resultado da prova, vou levar as sapatilhas e dar uma força.

- !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Beleza, mais uma pessoa para ajudar com os DVs.

Quando pensávamos que estava tudo resolvido...

TRIIIIIIIIIMMMMMMMMMMMMMM!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

- Alô?

- Olha, estamos aqui em Campinas para pegar o ônibus para Itapetininga. Acontece que a empresa não está aceitando o passe livre dos DVs. Parece que a Lei aqui é diferente.

O Wallace e o Ailton se recusam a ir pagando a passagem. Estão revoltados.

- Vamos verificar a legislação e já ligamos. Será que tem perigo do ônibus deixar vocês?

Daí o Othon grita: Este ônibus não sai daqui de jeito nenhum.

O motorista olhou, de cima embaixo, o tamanho do REBA e... resolveu esperar.

Para vocês terem uma idéia, ele "segurou" o ônibus por 25 min.

Enquanto isso, corríamos atrás das legislações. Mas, como são específicas, ia demorar um pouco.

- "Pense em mim, chore por mim,..." Alô?

- Oi Othon, caramba, que gritaria é essa?

- Todo mundo desceu do ônibus.

- Estão reclamando do atraso? Querem bater em vocês? Cuidado!!!

- Não! Tomaram a dor dos DVs. Estamos todos brigando com o motorista.

Enfim, a nossa chefe de delegação decidiu que seria melhor comprar as passagens e, se for preciso, pedir o ressarcimento depois. Afinal, a competição é amanhã.

Neste momento, os seis estão a caminho de Itapetininga.

Contei tudo isso, para vocês terem idéia do que é capaz um REBA quando se envolve em um projeto.

Assim, parabenizamos o envolvimento e dedicação dos 5, agora 6, REBAS que foram para a competição. Estamos na torcida e aguardando as novidades!!!

 

Quem quiser dar uma olhadinha, para saber mais sobre a prova, o site do Comitê Paraolímpico é: www.cpb.org.br/noticias/integra.asp?e=13825

Abraços e inté,

Simone.

 

Texto elaborado por Simone Cosenza.
Coordenação do Projeto Deficiente Visual na Trilha
10Nov2006.

- Bora, bora, bora! Vai largar! Vai largar! Vamos começar este pedal!!!

- Peraí! Quem está com a minha bengala?

- E os meus óculos?

- Todo mundo com o colete? Ele é um equipamento de segurança tão importante quanto o capacete...

- Cadê a camisa do Grupo?

- Iiiihhhh, não é essa não? Fala sério... Eu sou cego, lembra? Às vezes a gente confunde mesmo as camisas.

- Ah é...

- Bora! Bora!!!!

- UHHHHHHUUUUUUU!!!!!!!!!!!!!

E, em meio a esta algazarra, lá se vão os portadores de deficiência visual (DVs) pedalando pelas ruas e trilhas de Brasília...

- Mas como? Desde quando cego pedala? Não é possível...

- É sim... eles pedalam. E muito!!! Vou contar...

Tudo começou em dezembro de 2004 com o evento ?Neste Natal vai dar Pedal para o Deficiente Visual?. Era para ser uma ação social de um dia, mas o sucesso foi tão grande e contagiante que ninguém conseguiu mais parar.

- Neste Natal aí, os cegos aprenderam como pedalar?

- Sim! Convocamos ciclistas de diversos grupos de Brasília para conduzirem bicicletas tandem (aquelas para duas pessoas). Quem enxergava ía na frente e, atrás, o DV. Foi só emoção...

Afinal, já pensou?... Alguém que nasceu cego poder experimentar, pela primeira vez na vida, o vento no rosto e a sensação de liberdade que a bike traz? E o prazer daqueles que perderam a visão no decorrer da vida e não pedalavam há 10, 20 anos... Você consegue imaginar?

- Uau!!!! E aí? E aí? Como foi?

- Uma onda de emoção contagiante. Os deficientes visuais desciam das bikes tremendo e chorando. Tivemos que amparar vários deles para que não caíssem. Os condutores, por sua vez, não conseguiam segurar as lágrimas também.

Daí, nós, do grupo de mountain bike Rebas do Cerrado em parceria com o CEEDV (Centro de Ensino Especial do Deficiente Visual), resolvemos dividir com os DVs uma das sensações que mais nos faz felizes: a sensação de pedalar. E assim, transformamos o milagre daquele dia numa conquista constante, de todos os sábados. Foi criado o Projeto Deficiente Visual na Trilha.

Saímos do ?zero? e entramos ?com a cara e a coragem?.

Mal sabíamos das restrições de um DV e a forma como deveríamos tratá-lo para que ele atingisse os objetivos que estávamos propondo: de integração social, prática de esporte e opção de lazer.

Sabíamos que o projeto era caro, mas muito mais caro seria o contato com os DVs. Aprendemos muito nestes anos. Estamos ainda aprendendo...

Como em qualquer pedalada, caímos muito. Caímos e aprendemos a levantar. Várias vezes. E assim, fomos construindo a nossa história, juntos.

Vamos em frente porque sabemos que estamos crescendo e fazendo que os DVs cresçam conosco.

Não crescemos só no pedal, crescemos também na socialização, na cooperação, na doação e, principalmente, na humildade.

E já fomos longe... longe demais....dos simples passeios pelas ruas de Brasília às raias de madeira do circuito oval inclinado do Parapanamericano de 2007 na Colômbia; fomos à maior competição de mountain bike do Brasil, o Iron Biker (até ganhamos troféu pela inédita participação); estivemos em três Campeonatos Brasileiros de Ciclismo Paraolímpico; três ?Superando Limites?; dois Audax 200 Km; e à várias competições regionais....

Não é pouco não....

E assim, a cada conquista, vamos nos alimentando de coragem para tocar estas grandes bikes, com dois ciclistas a encarar os barrancos, down hills, pó-de-estrada e subidas infinitas. Em um trabalho totalmente voluntário onde a diferença nos possibilita conquistar amigos e superar dificuldades.

Dizem que quando perdemos um sentido passamos por um processo de ?compensação?. Ou seja, outro sentido ?ganha? a possibilidade de desenvolver muito mais seu potencial. Pois a bicicleta, neste caso, tem sido um grande instrumento para ajudar a desenvolver o maior dos sentidos da vida: o de solidariedade.

Texto elaborado por Simone Cosenza e Marcelino Brandão.
Coordenação do Projeto Deficiente Visual na Trilha
Bsb, 01/04/2008.

Depoimento realizado em 01/04/2006
Simone Cosenza e Marcelino Brandão

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