Pra mim foi uma experiência única e gratificante poder conduzir um Deficiente Visual hoje, fiquei bem o dia todo por conta disso.

Conduzi o Thiago, garoto de 29 anos que ficou cego aos 21/22 por conta do diabetes...

Tem uma namorada que é uma gracinha e estava sendo conduzida pelo Ômega, coitada.

Fazia muito tempo que eu não dava tanta risada.

O astral é da melhor qualidade e pra variar não é porque os caras não enxergam que eu não ia tirar onda..

Não perco mais nenhum momento assim, recomendo a todos.

Estou querendo arrecadar $$$ pra comprar mais uma bike pros DVs, quem sabe um almoço no Mr Dart e o pessoal daqui das listas compra os ingressos e ajuda a vender.

Eu entro com a mão de obra e ingredientes e 100% da renda vai pra comprar a(s) bike(s).

Abraços Sérgio

Caros amigos,

hoje viví uma manhã especial. Fui visitar o Projeto DV na Trilha, e como o combinado, iria observar a dinamica do grupo e depois sair no pelotão , na minha bicicleta, para curtir o trabalho dos voluntários.

Por comando do Marcelino e com um treino rápido no estacionamento, em pouco minutos me ví no tränsito, em um tandem zero bala, com um DV pilhado que insistia para eu ir mais rápido. E sabe aquele ditado que diz, quem está na chuva é pra se molhar, pois bem. Descobrí como é fantástico este negócio de pedalar com os DVs, o astral deles, a energia boa, a vontade de continuar quando chegou a hora de voltar. Uma coisa muito legal. Depois com o tempo ficou mais fácil e descer o buraco do tatu a 45 km/h e os DVs falando alto, rindo, os estreantes como dublës de condutores se divertindo, que coisa linda.

Marcelino e Dani,Bruno, Burgel, Simone, todo o pessoal do Projeto, descobrí porque vcs são malucos por este projeto, agora entendo.

Uma manhã muito especial esta de hoje.

Convido a todos para experimentar as sensações e o trabalho legal dos voluntários do Projeto DV na Trilha.

Se não quiser ser condutor, tem outras formas legais de participar.

Parabéns por tanta dedicação.

Ronaldo Curumin
A Brasília do Futuro vai andar de Bicicleta

Ronaldo, coordenadores do DV NA TRILHA e ômega.

Pessoal,

Realmente a manhã de hoje foi muito especial. É incrível como é simples fazer pessoas felizes e ainda fazer uma atividade que gostamos tanto que é pedalar.

Os coordenadores do DV na TRILHA estão de parabéns!!! Que trabalho fantástico é esses que vcs realizam. SHOW DE BOLA!!!!

Contem comigo para qualquer necessidade.... condutor.... voluntário.... batedor.... Enfim... qualquer coisa!!!

Quero dizer que já vou procurar uma TANDEM para participar com mais força no projeto e me dedicar a buscar parcerias que viabilizem doação de mais bicicletas TANDEM.

Ômega, veja se é possível encaminhar este e-mail para o grupo do PNDF, pedindo mais voluntários para serem condutores no projeto.

Pelo que entendi nas conversas de hoje, seria muito importante contar com mais voluntários. Quanto mais voluntários/condutores, mais DVs pedalando e felizes.

Gente....É bom demais!!!! Pedalar....ajudar....divertir....e o mais importante, fazer pessoas felizes!!!!

Hoje, vivi um dos dias mais especiais da minha vida!!!

Abs e mais uma vez, PARABÉNS para os mentores e voluntários do DV NA TRILHA!!!!

Sexta-feira, 09/04/2010, final de expediente:

- Aí, Simoninha, mais um DV confirmado.

- Uai, é?! Quem? Ninguém me ligou...

- O Marcelino que mandou o e-mail confirmando. É o Rubens.
Ele é surdo-mudo e tem deficiência visual: baixa-visão.

- ...

- ...

- Caracas!!! ... como vamos nos comunicar com ele então?

Ficamos eu e Bruno conversando e imaginando como seria isso.
Sábado já estava chegando e não daria mesmo tempo de fazer nada...
Quer dizer, fizemos o que se faz numa situação dessas: entregamos a Deus!!!
Mal sabíamos que esse era o desafio mais simples a superarmos.

Sábado, nove e pouco, chegamos ao nosso Projeto.

A Iza vê um DV do lado de fora indo embora.

- Ei! Ei! - chamamos.

E nada...

Pensei: só pode ser o Rubens.
Naturalmente... gritei:

- RUBENS!!!!!!!!!!!!!!!!

- Ow! Ele é surdo!!!!!!

- Aié mesmo... ?!?!

1º ?mico?

E o homem indo embora. Tomara que não dê tempo de pegar o ônibus. Corremos e chamamos o vigia para abrir o portão.

-Tum, Tum, Tum - esse era o nosso coração ansioso.

Já pensou... a primeira vez que um DVSM (deficiente-visual-surdo-mudo) vem prestigiar o Projeto e vai embora sem nos encontrar.
Sem sentir o vento no rosto que o pedalar nos traz. Sem poder experimentar aquela maravilhosa sensação de liberdade. Não pode... não pode...

De repente, enquanto o vigia abria o portão, em clara intuição, o Rubens pára se vira para nós.

UAU!!!!!!!!!!!
Abanamos as mãos freneticamente.
Mas ele não viu... ele não vê... tem baixa visão...

2º ?mico?.

O portão foi aberto... UFA!!!!!!!!!!!
Corremos ao seu encontro. De pertinho e contra a luz ele conseguiu nos ver e, aliviado, abriu um sorrisão apontando para o relógio e perguntando algo...

Na verdade, foi um alívio para nós três e tentamos infrutiferamente nos comunicar nos primeiros minutos.

Ele apontando para o joelho e fazendo sinal de ?pequeno? com os dedos.

Perguntei - você sente uma pequena dor no joelho?

Ele abriu os dois braços em torno do próprio corpo.

- Já sei, já sei, você está se sentindo farto, mal, algo assim?

- Você consegue ler meus lábios?

3º mico - baixa visão não vê detalhes, não dá para ler lábios ...

A cara de interrogação do Rubens, a cada pergunta, era de dar dó.
Só não era maior que a cara de interrogação minha e da Iza enquanto ele gesticulava alucinadamente dizendo um monte de coisas loucas (no nosso limitado entendimento gestual).

Mas a sintonia do coração e da solidariedade é infalível.

Passados alguns minutos, tomamos fôlego e recomeçamos.
Milagrosamente (no sentido mais literal da palavra: coisas de Deus mesmo!!!!), ele fez o primeiro gesto novamente e nós entendemos perfeitamente sua ?voz?:

- ?Espera só um pouquinho que vou trocar de roupa para poder pedalar?.
- ?Beleza? - gesticulamos, e ele entendeu.

Antes de ir, ele repetiu o segundo gesto e também entendemos:

- ?Cadê o Marcelino??
- ?Ele chegará daqui a pouco?.

Daí lembrei, em euforia, que eu sabia aqueles sinais de LIBRAS (Linguagem Brasileira dos Sinais) gravado em um daqueles folhetins que eu havia comprado há muuuuuuuuuuuuuuuiiiiiiiiiiiiiiito tempo de um surdo-mudo em um bar e acabei decorando pois ?um dia poderia precisar?.

Pronto, aí a comunicação fluiu.

Pedalamos e foi uma maravilha...

A Rosi e a Mari, na maior empolgação, fazendo planos e concretizando uma dupla que promete muito sucesso.
Wallace ensinando a Iza a conduzir.
Danilo apoiando a Iza.
Eu e Valéria, no carro, apoiando todos.
Bruno e Reginaldo falando de pneu furado e vento-contra, entre risadas, para justificar o ar ofegante.
Marcelino e Rubens criando símbolos para se comunicarem enquanto pedalavam.

Chegamos e comemoramos: todo mundo agüentou bem!!!
Uhhhhhhhhhhhuuuuuuuuuuuuuu!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Até que o Wallace, deficiente visual, perguntou: o Rubens agüentou ir e voltar?

- Sim, agüentou!!!!

- Parabéns, Rubens!!!! Gritou o Wallace batendo palmas.- Wallace ele não ouve...
Silêncio total...
- Mas, mas eu quero dar os parabéns para ele... disse o Wallace frustrado e inconformado.

Gente, aí vimos que esse seria o nosso maior desafio: promover a comunicação entre os DVs e os DVSMs.
Parem e pensem sobre isso...

Peguei nas mãos do Wallace e mostrei a ele como se batia palmas em LIBRAS (levantando as mãos e balançando-as em torno de si mesmas- o Marcelino havia me ensinado a pouco).
Wallace entendeu.
Pediu para ir para perto do Rubens e, silenciosamente, fez os gestos.
Rubens se emocionou.
Mas o Wallace não viu.
Rubens gesticulou.
Mas o Wallace não viu. Wallace não vê... é cego total.
Rubens puxou o Wallace e deu um abraço nele.
Aí o Rubens ?falou? e o Wallace ?viu?.
Eles comemoraram.
Comemoraram o pedal e comemoraram a magia daquela comunicação permeada pelo mais genuíno amor.

Muita muita muita emoção. Haja lágrimas nos olhos...

Micos a parte, solidariedade em evidência, está aí o nosso Projeto Deficiente Visual na Trilha voltando à ativa e nos enchendo de vida e motivação.

Agradeço a presença de todos e convido, quem quiser passar por estas e mais outras emoções, que venha nos conhecer e participar da superação dos nossos constantes desafios.

E, agora dia 13/04/2010, terminando de escrever esta cartinha para vocês, ouço o Bruninho dizendo:

- Aí, Simoninha, mais quatro DVs confirmados!!!! O Marcelino acabou e mandar um e-mail.

Um calafrio me percorreu a espinha e não paro de pensar... de onde tiraremos tantas tandem-bikes e condutores para atendermos nossos antigos DVs e os novos que não param de chegar?
Não sei...
Mas, de onde tiraremos o amor que precisamos para dar continuidade ao Projeto eu não tenho dúvida alguma.
É só perguntar a qualquer um dos nossos voluntários e condutores.

Um grande abraço e até sábado!!!
Abaixo o tal e-mail que o Bruno falou que acabou de receber.

Simone Cosenza
Coordenação do Projeto DV na Trilha

 


 

?Caro Danilo

Nesse sábado não poderei ir porque tenho um curso na Casa de Espanha sobre o Caminho de Santiago.
A minha tandem está à disposição se precisarem.
É só me ligar e coordenar o ?apanha?.
O Rubens gostou muito de pedalar no sábado passado e fez a maior propaganda lá no CEEDV.
Resultado: um bando de cegos estimulados.
Assim para esse sábado 17, deverão aparecer lá:
-Rubens (baixa visão, surdo e mudo)
-Wanderson (baixa visão, surdo e mudo) => para teste
-Adalberto (cego total) => para teste
-Jonys (baixa visão) => para teste
Boa sorte para vocês.
Um grande abraço

Marcelino?

Texto elaborado por Simone Cosenza.
Coordenação do Projeto Deficiente Visual na Trilha
Brasília-DF, 13Abr2010

Valeu Inaldo, o Wallace pediu para eu agradecer pelas palavras que vc escreveu e pela besteiras que você e o Dedé ficaram falando no percurso para Piri.

Ele riu tanto que esqueceu a dor no joelho.

O superando é assim...agente pedala muiiitooooo, mais se diverte!!!

Meu parceiro Wallace arrebentou!!!!!

Aliás, arrebentamos três vezes a corrente da Azulona (tandem) do Marcelino, que resistiu muito bem, pois conseguimos concluir o percurso.

Mais uma vez foi uma grande experiência, pois pilotar uma tandem, em trilha, é muita emoção.

O bom de tudo é que meu parceiro, Wallace, era otimista demais, para ele qualquer obstáculo era pouco.

Quando eu dizia te prepara que vem um subidão, ele respondia põem a coroinha logo e pedala que nós demos conta.

OK, lá ia nós!!!.

Quando vinha um decidão não poupávamos no grito.... tandemmmmmm !!!!!!!!!Esquerrrrrrrrrdaaaaaaaa!!!!!!!!! Direitaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!

Peço desculpas aos colegas que tinham que se jogar para o lado, mas a tandem não pára, ou melhor, o Wallace não pára.

Foi muito bom percorrer os 100 quilômetros até Piri, à frente do Wallace e o lado de tantos amigos, solidários, engraçados, pacientes, que mesmo cansados nos ajudaram naquela pedreira infinita!!!...e quanta pedra em nosso caminho!!!

Obrigada também a galera que nos ajudou a emendar a corrente, que nos deu água, que nos emprestou as chaves, foi um grande evento.

Valeu e até o próximo.

Abraços, Dani Lemke

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